Este Blog é para se falar sobre os 'dropinos' da vida, dentro e fora de água. Aqui vale tudo menos 'dropinar' os locais.

sexta-feira, outubro 15, 2004

A teoria do dropino by Rudas

Os dropinos estiveram sempre na ordem do dia nas Maldivas, dentro e fora de água.

filme - low resolution - quicktime - 5 Mb (menos qualidade)

filme - high resolution - quicktime - 10Mb (mais qualidade)

p.s. Para poderem visualizar qualquer um destes filmes têm de ter instalado um plug-in quicktime. Podem fazer o download no link em baixo, é grátis e dá....filmes! icon_biggrin.gif ah, já me esquecia, se não tiverem colunas, som, nem vale a pena darem-se ao trabalho!

façam o download do plugin aqui>>

divirtam-se...

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é...

Uma coisa é ir ás Maldivas, outra coisa é não ir.

É que é mesmo assim. Uma coisa é ter lá estado, outra é imaginar como é que poderia ter sido. Muitos são os que trazem na memoria momentos unicos com glassadas descomunais, surfadas epicas enfim as ondas da sua vida. Outros vêm com a sensação de que poderia ter sido muito melhor, as espectativas eram altas e a mãe natureza simplesmente não contribuiu. De qualquer das maneiras ter lá estado é bem melhor do que nunca lá ter ido, na minha prespectiva claro. Houve algumas ondas que eu dizia, se me fosse embora agora já tinha valido a viagem!

Uma coisa é surfar offshore, outra coisa é surfar onshore.

Pois é, em 'casa' são mais as vezes que apanhamos condições desfavoraveis do que classicas. Um dia de onshore nas Maldivas em 'casa' era muitas vezes considerado como um dia "classico".

Uma coisa é estar no barco, outra coisa é ir para Lohifushi.

Sem duvida. Muitas foram as ocasiões em que argumentei que era tudo a mesma coisa. Pois bem, tenho de reconhecer o quanto estava errado e dar o "braço a trocer", estar no barco com um grupo de amigos é de longe muito melhor do que ir para Lohifushi. Isto se formos lá para surfar claro.

Uma coisa é surfar direitas, outra coisa é surfar esquerdas.

Pois é, mas tenho de vos confessar que das melhores ondas que surfei este ano foram esquerdas, compridas...muitoooo compridas, e sou regular.

Uma coisa é surfar 0,5 m, outra coisa é surfar meio-metrão.

Este tópico, o da medição do mar, foi um dos topicos do forum do barco nesta viagem. Não chegamos a lado nenhum a não ser que existem varias formas de medir o mar, depende de pessoa para pessoa e não passa só por medir com exactidão a parede da onda! A verdade é que não importa a medida que cada um lhe dá, elas estão lá e rebentam iguaizinhas para todos!

Uma coisa é gostar de caril, outra coisa é comer caril todos os dias.
Uma coisa é gostar de peixe, outra coisa é só comer galinha.
Uma coisa é gostar de picante, outra coisa é pôr picante no caril.

Uma das desvantagens a bordo é a comida, talvez mesmo a unica, e muito embora a qualidade seja bastante boa, já não se pode dizer o mesmo á variedade.
- 'Sai uma costoleta de novilho...ou duas.'

Uma coisa é surfar com amigos, outra coisa é surfar com amigos dos outros.

'Meu amigo teu amigo é.' Sempre ouvi dizer isto. E se em muitos casos até é verdade, é também verdade que nem sempre é assim. Posso me considerar um gajo com muita sorte, tirando um ou outro caso em Lohifushi toda gente que conheci era 5 estrelas, especialmente a bordo do Nasru Ali.

Uma coisa é crowd, outra coisa é relax.
Uma coisa é respeito, outra coisa é fuçanga.

Absolutamente. Crowd é sinonimo de stress. O pessoal que o diga, demorei duas surfadas para perder o 'sindroma de Lohis'.
Como e que se mede o grau de divertimento? É pelo numero de ondas que se panha? Pelo numero de manobras numa onda? Ou isso muda de pessoa para pessoa? Será que é pelo simples facto de se ter apanhado mais ondas do que os outros que nos divertimos mais? Pois se assim é eu "ganhei", é que eu diverti-me com as que eu apanhei e vibrei com as que os outros apanharam, ora multiplicado pelo numeros de 'surferos' no barco dá uma batelada delas!

Uma coisa é o "dingui", outra coisa é o dhoni.

Fazendo uma analogia á força aerea, um dohni é como um C130 a largar "toucinhos do ceu" e o dingui é como um Aviocar. A diferença está na quantidade!

Uma coisa é marear, outra coisa é enjoar.

No inicio estava um bocado apreensivo. vou enjoar!? A verdade é que só se sente o efeito quando se volta a terra firme.

Uma coisa é mergulhar, outra coisa é fazer "snorkling".

Se agarrar nos oculos e nas barbatanas e andar por ali a ver a bicharada já é uma experiencia unica imagino mergulhar com botija! fica para a proxima.

Uma coisa é surfar de botinhas, outra coisa é ir ao reef com os pes.

O ano passado não surfei uma unica vez sem botinhas. Se por um lado as botinhas dão imenso jeito quando estás no inside em pé sobre o reef, por outro para quem não está habituado a surfar com elas podem simplesmente dar cabo de uma surfada. A escolha é tua. Uma coisa é certa, eu este ano preferi uns cortes nos pés a surfadas desconcertadas!

Uma coisa é entubar, outra coisa é fazer um chapeuzinho.

Muito embora muitas vezes um chapeuzinho tenha o sabor de um "ganda tubo".

Uma coisa é razo, outra coisa é não ter água.

Muitos dos insides das mais famosas ondas das Maldivas são consideravelmente razos, outros meus amigos simplesmente não têm água. E aí o melhor é mesmo não vacilar!

Uma coisa é fazer umas ondas, outra coisa é partir a loiça.

Estar no lineup de Jails ou chikens. olhar para fora e ver o set a entrar, remar para uma, arrancar, dropar e cortar pode ser tão ou mais divertido do que encher a onda de manobras e truques. Mesmo que penses que as manobras foram as mais radicais da tua vida! É que do pensar a ser vai uma grande diferença. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!

Uma coisa é surfar de pranchinha, outra coisa é surfar de "bacalhau".
Uma coisa é surfar com 3 quilhas, outra coisa é surfar com 2.

O material tem bastante importancia no teu desempenho. Se por um lado somos todos "maçarros" e qualquer coisa serve, por outro quanto melhor for o material melhor te ajudará a surfar. Bacalhaus é fixe por que é como se tivessem 'piloto automatico', pranchinhas é fixe porque soltam o teu surf!

Uma coisa é explicar como é estar nas Maldivas, outra coisa é estar lá.
Uma coisa é surfar chikens offshore, outra coisa é contar como foi.
Uma coisa é conversar com o pessoal aqui pelo forum, outra coisa é "viver" com eles durante 1 semana "fechados" num barco.
Uma coisa é o Nasru Ali, outra coisa é um barco qualquer.
Uma coisa é o Capitão, outra coisa é o Ali.
Uma coisa foi este ano, outra coisa foi o ano passado.

Posso estar aqui a tentar explicar-vos e descrever como é estar e surfar nas Maldivas, mas nada se compara a ir lá e exprimentar pessoalmente. Mesmo o Vmax que ao que parece não teve a melhor das experiencias pode-vos confirmar isso. Uma das melhores ondas que surfei lá foi chikens, uma esquerda muito longa que quando está perfeita pode-nos proporcionar ondas com 300 metros. Nós apanhamos dias assim. Offshore, 1,5 metros (metrinho) a 2 metros (metrão) com a onda a literalmente dar a volta á ilha. Só que por mais que tente explicar ou comparar com ondas daí é simplesmente impossivel, só estando lá!! conhecer pessoal daqui do forum, ir a uns encontros e a umas jantaradas é completamente diferente de viver e surfar durante uma ou duas semanas num barco. As pessoas não param de me surpreender, foi uma experiencia interessante e no final posso dizer que muito embora o pendulo tenha pesado para os dois lados o saldo foi positivo! Ir para as Maldivas fazer um surfSafari é uma experiencia unica, e mesmo não tendo estado noutros barcos para poder comparar arrisco-me a dizer que o Nasru Ali é dos melhores barcos a operar nas Maldivas. Pelas condições do barco, pela tripulação e claro está pelo seu capitão, o Ali!
Este ano não foi melhor nem pior do que o ano passado, foi diferente!

Epílogo 8 - 'O Acabar do Suspense'

Então e agora?!?!?!
Mandámo-nos à água e deixámo-nos ir ao sabor da corrente espreitando em simultâneo para dentro do ramificado de árvores que caiam para a água enfeitando a bordadura da ilha. Algumas dezenas de metros navegados e pimba, uma coisa branca terminada em bico enfiada arbusto adentro… lá fui eu raízes adentro e… fónix!!! Não era o resto da minha tábua!!!
Passei a descoberta ao Guilhas e continuei a ‘Operação Mirónes’… seguimos ao sabor da corrente e mais um bico da tábua metido nos corais. Já não fui com tanta sede ao pote mas este até era o pedaço que faltava!!! Nadámos cada um com um bocado de tábua na mão e lá nos vieram buscar…
Prontifiquei-me a arranjar-lhes a tábua mas mais para o fim do dia… colei uma parte à outra e deixei os acabamentos para outra altura – acabei por me desculpar com a falta de fibra e de uma rebarboradora… Enquanto isso, peguei na 6’0” e lá fui eu dropar mais umas bolhas glassadas!!! Seriam as últimas da estadia e as que ainda perduram na memória tal a força com que já saíam as rasgadas e o quão fácil e tranquilmente eram agora executados os drops…
Já anoitecia quando decidimos dar as surfadas como terminadas… para a próxima há mais!!!
No dia seguinte, depois da despedida da tripulação e pagas as propinas, iniciámos a tortura que é a viagem de regresso… Escusado será dizer que apanhámos sécas monumentais nos dois aeroportos mas, é um mal menor a pagar.

Derradeira Conclusão:
Resumindo e baralhando, foi uma viagem do caroço… altas ondas e a oportunidade de privar com gente boa que embora opinando cada um para o seu lado, algo (n)os unia: o prazer de disfrutar de um sítio tão edílico e proporcionador de condições únicas.
Não foi bem a cova do vapor mas a parte do trânsito da ponte até que compensou…
O surf e as ondas acima de tudo, mas sem nunca esquecer o prazer de acordar a 100m de um pico perfeito ou o pôr do sol disfrutado com um café numa mão e um bom livro na outra… há merdas pelas quais vale a pena pagar, e este tipo de viagem é sem dúvida uma dessas… Fiquei sem o subsídio de férias e hipotequei parte do 13º mês mas se deixasse de surfar amanhã já saberia como se sentem os prós a bordo de um barco sem mais que fazer para além de surfar, comer e dormir…

Os novos destinos a descobrir nos próximos e derradeiros anos são para se ir acertando detalhes e desde já deixo um registo: o meu ponto de vista para a próxima surftrip…

Não mais voltarei a surfar nas Maldivas. A não ser que estejamos a falar de outros picos que não os comentados nesta novela… Ouvimos falar, aquando da nossa estadia, dos Atóis do Sul… é uma hipótese. A razão é simples. A coisa começa a ficar demasiadamente parecida com a Indonésia e vai daí que começou a não compensar a diferença de investimento…

Há as Mentawaii… apesar do crowd que acima de tudo me arrepia, dizem-me que compensa navegar por lá… um spot a considerar.

Ilhas Fiji… esquecendo Tavarua e Cloudbreak… como ficar por lá? Como lá chegar? Como alugar uma casa a um local? Como alugar-lhe um barco? Como contratar um cozinheiro/pescador? Arranjando resposta a todas estas questões, suspeito que teríamos as férias de uma vida…

Aqui me despeço, desculpem-me a falta de tempo para escrever o prometido ‘diário de bordo’ ou a forma tendenciosa como às vezes me manifesto, mas eu sou eu e quem não gostar faça o favor de deixar à borda do prato…

by Rudas

Epílogo 7 - 'Forrest Gumpers'

…E não é que estava mesmo e a minha suspeição se revelou correcta?!?!
Um bico de pato não dava jeito por razões óbvias… sem água a coisa fica difícil sem uma giratória por perto.
O timing para remar direito à praia já tinha passado – qual praia? – também não era opção…
Vai daí e resolvi tentar enfiar-me dentro do tubo – entre o lip e a parede e aguentar-me à jarda… se fosse nos Super, cravava as mãos, os pés e os dentes na areia e esperava pelo abanão… ali, limitei-me a esperar pelo abanão.
Para mim até dava tempo, mas a tábua teria que ser sacrificada… e foi mesmo. Entre eu e a tábua… escolhi-me a mim. A prancha até era minha – há aqui uma boquita fvdida - já a tinha partido uma vez no Molho Leste, já tinha cumprido o limite de milhas em duas semanas de Maldivas e um ano de surf por Santa Cruz e Peniche, enfim… um mal quase menor. E PIMBA!!! O lip ainda me acertou nas unhas dos pés quando mergulhei e c’a g’anda mocada que foi!!!! A guilhotina era mesmo afiada e cortou literalmente a tábua… depois de decepada e como se não bastasse ainda ficou vincada em mais sítios… talvez por ter sido prensada contra o fundo de coral, acho.
Depois de levar com as outras todas, começo a remar para o barquito com o que restava dela… o Guilhas nem queria acreditar…: - ‘A tua Lost?’
Chego ao barco, e o J afinal já estava de bjéca na mão…
- ‘Surfem mas é o resto da tarde que se me vir mesmo à rasca seguimos para Malé pró hospital…’.
Resolvo, num momento raro de extrema benevolência, oferecer os restos mortais da dita cuja à tripulação. Não daria os finos – o Dafonso ofereceu os dele – mas um shop condenado e um astrodeck impossível de ser descolado ainda lá ficou…
-‘Hey man, now you have to fix the board for us…. So, it’s better if you go and find the rest of it…’ – disseram-me os presenteados.
-‘Como é Guilhas?’
-‘Pega numas botinhas e vamos nessa!’

Por estarmos em Sultans, o barquito teve que nos deixar a 100m da ilha… nadámos o resto - sem barbatos pois odeio bodyboarders – e lá chegámos por entre corais afiados, visto que praia de areia não havia. Restos de prancha também não nos apareceu… Resolvo ir até à zona de arrebentação a pé, e deixar-me vir com a corrente a circundar a ilha correndo todo seu perímetro para ver em qual árvore é que o bico resolveu prender-se…
Entramos ilha adentro e não sei se por aquilo ser um campo de tiro, ou por estar escuro visto que as copas das árvores não deixavam passar a luz do sol, ou se pelos avisos sucessivos dos enxames de insectos carnívoros que infestavam cada ilha, ou se pelos morcegos que gritavam por todo o lado… parámos estupefactos a olhar um para o outro.
- ‘Fôsgasse!!! Esta merda faz-me lembrar o Platoon!!!! Então mas eu estou a dar uma merda de uma tábua partida e ainda tenho que correr riscos de vida?!?!’
- ‘Lá assustador é!!!! Se fores tu à frente vou na boa…’
- ‘Então fazemos o seguinte: voltamos à água, mergulhamos para irmos molhados e esquecemos a questão dos mosquitos… o resto esquecemos também se formos a correr depressa… boa?’
- ‘Se fores tu à frente vou na boa…’
- ‘Então vamos nessa Vanessa’

Mergulhámos e começámos a correr que nem desalmados!!! Figurinhas do cú!!! Dois palhaços a correr numa ilha deserta, só de calções e botinhas de neopreno!!!!
O piso da ilha era repleto de coral morto mas afiado… não se via areia!!!! E os cabrões dos morcegos sempre a manifestar o seu stress com o nosso passar à velocidade da luz pelas folhagens e ramos espalhados…
Depois de findada a pista de obstáculos, chegámos à zona de impacto… o impacto estava lá e a zona era aquela, sem dúvidas...

by Rudas

Epílogo 6 - A recta Final


Chegada a Sultans… a última ceia estava prestes a acontecer, mas com mais ‘back-happenings’ que o quadro de Da Vinci:
Esperámos que o crowd dispersasse um pouquinho mais enquanto me deliciava com o último almoço nas Maldivas: ou eram salsichas com ovo estrelado ou ovos mexidos com salsicha… não poderia ser nada mais pois já ía no 14º lunch a cortar ingredientes.
Chamámos o Dingui Master e o seu veículo – private joke – e zarpámos… Vilas com uma gripalhada pita k pariu, Guilhas ressacado com as Australianas, as Sul Africanas, as Americanas e com um ombro fora do sítio foram os dois cameramen de serviço… as filmagens ficaram uma bosta – nível semelhante aos dos actores - mas contou a intenção!
Dois manos para Onky’s – os goofies Dafonso e Kerpar - e outros dois para Sultans – a onda dos drops fáceis – eu e JB…
Começámos por um mar pequeno, seguido de uma glassada fabulástica e uma sessão de cutbacks e reentrys kilométricos… a sobremesa estava para vir.
O mar entretanto começara a subir e os drops deixaram de ser tão acessíveis a todos…
JB sempre ao meu lado a tentar integrar-se do melhor m2 para arrancar em condições… Eu tenho este péssimo hábito de tentar arrancar detrás do pico sempre que estou nas Maldivas… e portanto, deu merda irmos os dois.
Já os dois goofies se tinham juntado aos regulares quando mais um set vassoura resolve varrer os amigos todos… tanto varreu que o pó levantado impulsionou a tábua do J, com um fino mais irrequieto que os outros dois, de encontro à testa do ‘GoldenCojonesMan’… eu, que entretanto tinha acabado de disfrutar de mais um expresso para não levar com aquela, vejo um barquito cravado de espanhóis entrar disparado pelo pico adentro…

Era a operação de resgate do ProducerOfTomatoSauce a começar… era sangue a jorrar testa abaixo e eu a mais de 150m do gajo…!!!
Começo a gritar para o nosso barquito – que supostamente estaria ali para nos filmar – e os gajos, como de costume, de costas para o pico, a filmar a água transparente e os peixes que nela deambulavam…
Bastante tempo depois, já eu estava a ficar sem voz quando através de sinalética e de um: ‘Vão já buscar o J seus filhos da pita!!!!’ a plenos pulmões, lá foram então buscá-lo… a coisa até está documentada: as dores eram mais que muitas e o corte grande com’à piça, como poderão depois atestar…
As ondas estavam tão boas que me resolvi armar em corno:
‘Vou só fazer mais umas e já lá vou…’ – pensei.
Curti mais umas altas e vejo o barquinho vir na minha direcção para me vir buscar… e eu, que até estava numa excelente posição no pico, pensei que é esta a minha última onda aqui pois vamos para o hospital cosê-lo…!!! Dropo, encaixo, viro, subo e desço, etc e tal, e resolvo fazer-me ao inside também - já que até era a última - passo quase tudo mas aquela até era a 1/20 que não era hiper perfeita e tenho que sair a meio de uma secção para não ser prensado… não vai haver crise e mergulho visto que aquilo até nem é a Indonésia…
O pior era o brinde que vinha atrás!!!
Como me tinha armado em fuçanga – vide ‘definição de fussanguice por Fancho’ – a onda que me apareceu pela frente tinha o chamado ‘Guilhotina effect’… era gaja para ter mais de 2m… o lip era coisa para 0,5m… a cor era mais ou menos transparente e bonita não fosse o facto de eu estar à frente dela e com água abaixo da cintura.
- ‘Estou fucked…!!!’

by Rudas

Epílogo 5 - Last but not least


Depois de nos despojarmos da mascote da trip, Fancholini lá se pôs a caminho da Germânia, não sem antes deixar para trás um pranto de lágrimas de crocodilo…
Ficámos então 5 gajos no barco com 3 dias pela frente… Cruzávamos as férias ao já descrito ritmo maldivo e deparámo-nos com uma penúltima noite espectacular… céu estrelado, um bafo filha da mãe e nem uma brisa de vento… fui logo avisando que o torneio de Uno e Playstation teria de ficar para mais tarde pois o último dia de surf iria por certo revelar-se como um estandarte de todo o esplendor que as Maldivas conseguem alcançar… sendo assim, teria que ir cedo para a cama.
E no dia a seguir, assim dito, assim aconteceu…:
Ao calarem-se os motores do barco, espreito pela escotilha e nem uma brisa por perto… mar glass, pequenas ondas perfeitas em Chicken’s e Coke’s, e três ou quatro madrugadores na água…
Eram 6 da matina quando nos lançámos à água… fui solitariamente para cokes e os restantes foristas para Chiken’s… alto pico disfrutado sozinho, glass, metro e meio com sets maiores, enfim… o Éden sem a Eva.
Passado um bocado saída para o pequeno almoço e nova entrada com as mesmas condições…
Passado mais um bocado, hora do almoço, os braços já guinchavam por misericórdia e o crowd aumentou… bazo da água e havia reunião no convés do barco… toda a malta se atropelava com relatos incríveis: 14 tugas tinham armado merda da grossa no pico de chickens deixando os nossos foristas com os nervos em franja… era aquela malta do team do ‘raio-a-bold’… Solução apontada? Zarpar, comer durante o caminho e passar a tarde na, supostamente, onda mais fácil das Maldivas… Sultans.
Como os meus amigos tinham chegado à conclusão de que os drops de Cokes estavam a ficar agrestes, convenceram-me e tal democracia funcional, de uma forma unânime e alegre, lá fomos mar fora sem arranhar os corais…

by Rudas

Epílogo 4 - A Armada Lusa


Os bascos foram, vieram os ‘tugas… Villaret, Kerpar e JB… sangue novo e uma lufada de ar fresco barco adentro. Grande festa lusa no aeroporto de Malé … primeiro para nos despedirmos de nuestros hermanos e depois para formar uma comitiva de boas vindas à altura dos foristas recém chegados.
O gajo que vinha mais contente era o Kerpar pela simples razão de lhe terem perdido a tábua mais velha que possuía… (espero que entretanto ainda não tenham encontrado nada para fazermos negócio!) Hora depois, lá se ambientaram à barcaça e respectiva tripulação e rumámos novamente ao único spot com offshore…
O mar entretanto parecia querer acertar e lá surfámos ondinhas pequenas mas de qualidade: sem crowd, sem stress, quentinhas e que fizeram as maravilhas dos apreciadores… Eu, por outro lado, não queria acreditar que Neptuno me tivesse relegado para aquela direita… mas entre aquilo e chorar ou rezar, fiz-me ao surf.
E finalmente o raio do vento dá mostras de querer rodar para o lado certo…
Enquanto parvejávamos de barcaça pelo Oceano fora, ainda houve tempo para uma entradinha numa ondita – merdosa por sinal – anexa a Lohifushi… também conhecida por Ninja’s, esta direitinha foi surfada já quase de noite. Eu bem disse que àquela hora todos os gatos são pardos e que o meio metro que almejavam no deck deveria ser multiplicado por 3 para se parecer mais com a realidade… Não houve azar e lá se provou ao nosso caro e ilustre JB que temos ar onde nem sequer imaginávamos… uma apneia de arrasto atrás do Tolan é sempre desagradável mas isto do surf também consiste em levar os nossos limites mais além – sem no entanto passar para o outro lado.
Faltavam então 3 dias para o términus da estadia e já deambulávamos pelos picos ditos ‘normais’… a malta tripou com a extensão de Chickens, com os drops fáceis de Sultans e com os canudos de Cokes. Mas o melhor estava ainda para vir…

by Rudas

Epílogo 3 - 'A Maré Negra'

NOTA DA REDACÇÃO: Após ter sido questionado por diversos foristas ácerca de 'que merda se passou por lá?', resolvi incluir este epílogo na narração. Por favor, abstenham-se de comentários a este terceiro visto que é um assunto que diz respeito apenas a 2 manos.

A moral estava um bocado a ir abaixo quando o Dafonso me crava a tábua que mais curto… não me pareceu ser aquele o spot indicado para experimentar tábuas mas não consegui dar um ‘Não‘ redondo e o rapaz lá entrou com a tábua após alguma relutância minha. E a merda acertou mesmo na ventoinha quando o leash se partiu… começa tudo a gritar em pânico e vejo o gajo a zarpar de barquinho em direcção ao barco grandinho deixando a minha princesa ao Deus dará… e lá foi buscar umas botinhas não fosse dar-se o caso de se arranhar a ir buscar uma mera tábua emprestada.
Fancho e Rudas coral adentro em operação de resgate da menina e lá fomos buscá-la às rochas. O episódio acabou com uma sessão de gritaria dentro do barco, eu com umas quilhas do Toninho Carrol todas janadas e uns dings à maneira na minha tábua preferida com 9 dias de surf ainda pela frente. Relações cortadas surftrip adentro e vida afora pois não papo grupos destes…
Quem não dá a camisola pelo amigo tb não merece o meu respeito, e uns arranhões nos pés eram um preço razoável a pagar pela estupidez de querer experimentar a prancha mais valiosa de um surfista amigo num pico onde parti-la era muito provável… no meu entender, o cérebro não é chamado para esta ocasião: ‘perdi a tábua de um amigo meu?!?!!? Então vou JÁ lá buscá-la mesmo que o fundo do mar seja em vidro afiado…’
Para viver em grupo e em comunidade há diversas regras óbvias a cumprir… Não gostei da atitude e não a vou menosprezar… isso do primeiro eu, depois eu, a seguir eu e os meus pés, e depois no fim da lista, os outros e as coisas deles, pedidas emprestadas ou não… pura criancice!!

E a coisa estava tão boa que fiquei indeciso se me havia ou não de ir embora ao fim de uma semana… é que ondas daquelas também as há cá em casa nos dias + clássicos… A água é por certo mais quente ali prós lados do Índico mas… não justificava a estadia.

by Rudas

Epílogo 2 - Normalidade nas Águas


As ondas estavam boas.
Ótimas ou mesmo épicas para quem nunca lá tinha estado…
Para mim, estavam boas. Quentes, bonitas e penteadas pelo offshore…
O crowd aumentou substancialmente desde o ano passado. Tornou-se difícil encontrar solução para o binómio lugar/hora que ligasse só com o nosso barco. Por muito que se andasse, aparecia sempre alguém…
A comida tornou-se intragável devido à falta de variedade: imaginem que gostam de picanha… agora comam picanha ao almoço e ao jantar… aproveitem, e em vez de ser só ao Domingo, comam-na também durante a semana, sábados incluídos. Agora multipliquem por duas semanas… pois é…!

Dois dias depois, já após efectuada nova troca de barco, vamos buscar o maluco do Cajó… foi para mim a surpresa da viagem. Após demorar quase dois minutos até se ambientar a todos os moradores do barco, instalou-se e ocupou um lugar de destaque junto de todos.
Do pouco que me tinha sido dado a conhecer em Peniche, pareceu-me ser um cromo da bola… imaturo e resplandescente de egocentrismo. Pois bem… lá cromo da bola é, mas é também genuinamente humano, amigo do amigo e com uma grande experiência de vida… Curti as nossas divagações acerca da Sociedade, Política, Educação, Atitude-Surf, gajas, valores de vida, eu sei lá + o quê… Penas jogares tão mal ao Uno e poderíamos fazer parcerias mais vezes!!!

Estávamos então a cruzar as férias a ritmo maldivo – salvo um swell espectacular que fez tremer os corais de Chickens e nos proporcionou ondas deliciosamente intensas (não a todos por motivos óbvios) - quando a merda do vento - que já me enervava por não parar de soprar – resolve mudar de direcção… onshore nas Maldivas!!! Fónix!!! Só faltava + esta!!!! E lá vamos nós para a única onda que funcionava com este vento… Full Moon.

A malta adorou… só que é uma onda de desenrasca… o crowd não era muito pois entrávamos à vez e o spot está fora da alçada dos resorts… a onda era mole no outside e dava umas secções excelentes no inside… ainda se sacaram umas tocas muito adrenalizantes visto que acabava a seco… e sendo o fundo de coral… a coisa até era divertida.

by Rudas